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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

“FAZER FINANCIAMENTO É JOGAR DINHEIRO FORA”

A frase acima não é minha, mas do consultor Valter Police Junior, que nos brinda com uma ótima entrevista no Portal da UOL (confira aqui). Com coragem de dizer o que poucos dizem e enfrentando inclusive o ceticismo da entrevistadora, ele fala algumas verdades e desmente alguns mitos sobre finanças pessoais.

O primeiro deles é sobre os financiamentos. Muitas pessoas utilizam o financiamento para comprar imóveis, eletrodomésticos e carros, entendendo ser a melhor alternativa para momentos de aperto financeiro. Porém, muitas vezes acabam realmente jogando dinheiro fora ao utilizar este meio para aquisição de bens.

Acontece que os juros nos financiamentos são altos e trata-se de um dinheiro despendido sem retorno. O correto a fazer é se programar, poupar durante algum tempo e então efetuar a compra a vista. Claro que há momentos de urgência em que você pode se socorrer dos financiamentos, porém o melhor é evitá-los.

Outro detalhe interessante na entrevista é sobre a mania das pessoas escolherem o financiamento pelo tamanho da parcela e não pela taxa de juros. É incrível, mas há pessoas que preferem pagar R$ 100,00 por mês durante 10 anos, do que R$ 150,00 em um ano, por terem a falsa impressão de que “sobrarão” R$ 50,00 a mais por mês para suas despesas. O correto, no entanto, é escolher o financiamento pela taxa de juros e não pelo montante da parcela.

Por fim, o mais polêmico, porém preciso argumento: muitas vezes é preferível alugar um imóvel a financiá-lo. Dizem que uma mentira contada muitas vezes se torna uma verdade. Este é o típico caso. De tanto falarem que pagar aluguel é jogar dinheiro pela janela isso se tornou uma verdade absoluta, quando a realidade é bem diversa.

Na verdade, em geral, o aluguel mensal de um imóvel corresponde a 0,5% do seu valor de mercado. Um imóvel em torno de R$ 200.000,00 em São Paulo é alugado por aproximadamente R$ 1.000,00 ao mês. Eu se tivesse R$ 200.000,00 no banco preferiria alugar o imóvel e deixar meu dinheiro rendendo em um título de renda fixa ou mesmo um título público do que comprar o imóvel. Ainda que o aluguel superasse o valor do rendimento eu não teria meu patrimônio imobilizado, possuindo um bom investimento para alguma emergência. Todavia, no Brasil as pessoas tendem a investir todo seu dinheiro em um imóvel e em um momento de desespero acabam o alienando por valores inferiores de mercado.

E se eu não tivesse os R$ 200.000,00 no Banco? Neste caso é possível que seja pior ainda o financiamento ao invés do aluguel. Isto porque além da parcela correspondente ao imóvel, teria que arcar com as taxas de juros, dinheiro que não teria retorno.

Portanto meus caros, não acreditem em velhas “verdades” e analise com acuidade quando for tomar um financiamento. Há casos em que a opção é valiosa, como no caso da compra de um imóvel com alto potencial de valorização. Em outros casos o consultor Valter Police Junior está correto: estará jogando dinheiro fora.

Um forte abraço!

Fabio Silva

9 comentários:

Wander Veroni disse...

Oi Fábio!

Parabéns pelo post. É muito esclarecedor e disfaz um mito para muitas pessoas que preferem comprar por financiamento, ao invés de poupar dinheiro para comprar à vista.

Abraço,

http://cafecomnoticias.blogspot.com

Guilherme Bayara disse...

Ótimo texto.

O brasileiro tem péssimos hábitos com relação as finanças. Claro há exceções. Mas no geral, as pessoas pessam a curto prazo, elas não fazem questão de pensar no valor total desembolsado. Se é possível pagar de 10X com alguns juros, mas com uma parcela menor que a de 8x sem juros, as pessoas escolhem a de 10x. Exatamente pelo motivo citado, a falsa impressão de sobrar dinheiro naquele mês, mas no final das contas se gasta mais.

E são vários os péssimos hábitos. é bom ter pessoas como você tentando levar esclarecimento as pessoas, afinal para o país crescer precisamos de uma população mais bem informada.

Ivani disse...

Não financiar é uma opção dificíl.
A maioria das pessoas preferem comprar ao longo prazo mesmo.
Um carro por exemplo, quantos eu iria ter que esperar para juntar a grana toda?
Então, a maioria segue a mesma linha de raciocínio: adiantar o objeto desejado!
Sai mais caro sim, mas queremos saciar a vontade de obter.

Bom, esse é o pensamento de uma declarada consumista!

bjO

Thaissa disse...

financiar pode até ser "dinheiro jogado fora", mas você sabe como brasileiro é: deixa tudo pra última hora, vai gastando dinheiro e de repente, quando se dá conta, não sobra nada...vai querer comprar alguma coisa e mete financiamento, claro! tem tb a parte de que a gente sempre quer logo o objeto dos sonhos, e como no exemplo citado acima...se for um carro, ous ei lá...uma casa...vai demorar MUITO pra conseguir juntar todo o dinheiro!!

beijinhos e boa semana :*

BLOG do Empreendedor disse...

Prezados,

Agradeço a visita e os comentários.

Espero que tenham apreciado a leitura e retornem outras oportunidades.

Um forte abraço!


Fabio Silva

Caveira Responde disse...

sem o financiamento nem sei oq seria de mim =P

http://caveiraresponde.blogspot.com/

BLOG do Empreendedor disse...

Caveira,

Tente se programar melhor. Dentro de uns anos vai ver a economia que conseguiu sem os financiamentos.

Forte abraço!


Fabio Silva

valter.police disse...

Caro Fábio,
Agradeço as gentis palavras.
Vamos aos poucos tentando mudar a cultura do consumo desenfreado, tão arraigada em nossa sociedade, pela do consumo planejamento, que nos permite inúmeros benefícios e tem o poder de mudar vidas.

Um Forte Abraço,

Valter Police Junior

BLOG do Empreendedor disse...

Prezado Valter Police,

Quem precisa agradecer sou eu! Agradecer por sua visita e seus comentários.

Minhas palavras não foram a toa. Sua entrevista foi excelente e eu defendo que Finanças Pessoais deveria fazer parte da grade curricular escolar. Certamente nossas crianças cresceriam com muito mais consciência financeira. Mas como você citou, aos poucos vamos mudando nossa cultura e isso deve-se muito a pessoas como você.

Parabéns pelo seu trabalho!

Um forte abraço,

Fabio Silva